Publicado em 10/03/2010
Israel pede desculpas aos EUA por divulgar plano sobre construções em assentamento em Jerusalém Oriental em meio a visita de Biden
Sob críticas dos Estados Unidos, de palestinos e até da ONU, o governo israelense pediu desculpas, nesta quarta-feira, 10, por anunciar na véspera um plano de construir mais 1.600 casas em assentamento judeu em Jerusalém Oriental, em meio a uma visita ao país do vice-presidente americano, Joe Biden, que tenta retomar as negociações de paz na região. Embora tenhareafirmado o compromisso dos EUA com a segurança de Israel, Biden condenou o anúncio das construções.
O ministro do Interior israelense, Eli Yishai, enfatizou nesta quarta que não vê problema na concessão de autorização para novas casas em Jerusalém Oriental, mas afirmou que se estivesse acompanhando o caso teria adiado sua aprovação em algumas semanas, alegando que Israel não tem intenção de "provocar ninguém". Segundo Yishai, ele não foi informado sobre o plano porque era uma questão de autorização técnica de rotina.
"Os comitês distritais aprovam planos semanalmente sem me informar", disse Yishai à rádio do Exército, segundo o jornal "Haaretz", acrescentando que há alguns dias foi aprovada a construção de casas em outro assentamento, o de Beitar Illit.
"Se os membros do comitê viram que essas casas foram aprovadas sem problema, eles não pensaram que uma autorização técnica em Jerusalém, que não é parte do congelamento de assentamentos, precisaria ser do conhecimento do ministro."
"Esse é um momento de grande desafio ao esforço dos EUA de fazer o processo político avançar"
Em novembro, o premier israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou o congelamento da expansão dos assentamento judeus por 10 meses, atendendo a um pedido dos EUA para facilitar a retomada das negociações de paz, paralisadas desde a guerra em Gaza em dezembro de 2008. Biden chegou a dizer, na terça, que via agora uma "oportunidade real" para a paz, mas palestinos já disseram, nesta quarta, ao vice-presidente americano que o novo plano de Israel desafia a tentativa dos EUA de mediar novas negociações.
"Esse é um momento de grande desafio ao esforço dos EUA de fazer o processo político avançar", disse o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, em encontro com Biden.
Biden deixa Netanyahu esperando uma hora e meia em jantar
Aliados do premier israelense afirmam que ele também foi surpreendido com o anúncio do projeto de 1.600 casas, promovido pelo partido ultra-ortodoxo Shas, que é um importante membro da coalizão do governo. Numa possível mostra do estrago causado pelo anúncio do plano, Biden deixou Netanyahu e sua mulher esperando por uma hora e meia em um jantar oferecido na noite de terça-feira pelo israelense.
O vice de Barack Obama já havia afirmado que a aprovação das construções no assentamento de Ramat Shlomo "abala a confiança que nós precisamos agora e vai contra a discussão construtiva que tivemos aqui em Israel". A ONU divulgou nota afirmando que seu secretário-geral, Ban Ki-Moon, "reitera que os assentamentos são ilegais sob a lei internacional. Além disso, ressalta que a atividade de assentamento é contrária às obrigações de Israel sob o plano de paz, e mina qualquer movimento em relação a um processo de paz viável".